
A equipe de fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA-SE) realizou uma visita técnica à plataforma autoelevatória PA-38, atualmente empregada nas operações de descomissionamento de poços marítimos na Bacia de Sergipe, mais especificamente no Campo de Guaricema. A atividade teve como objetivo acompanhar o exercício profissional das diversas modalidades da engenharia envolvidas no processo, verificando a atuação de profissionais habilitados e a responsabilidade técnica das atividades desenvolvidas a bordo.
“A fiscalização integra a missão institucional do Crea-SE de zelar pelo exercício legal das profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea, assegurando que empreendimentos de elevada complexidade tecnológica sejam conduzidos sob a responsabilidade de profissionais regularmente registrados e em conformidade com as normas técnicas, legais e de segurança”. É que afirma o vice-presidente do Conselho, Daniel Diniz que acompanhou a equipe de fiscalização na visita à plataforma.
Sergipe vive uma das maiores operações de descomissionamento do país
Berço da produção offshore brasileira, Sergipe iniciou um novo ciclo na indústria de petróleo e gás. Após décadas de exploração em águas rasas, diversos campos marítimos chegaram ao fim de sua vida produtiva e passaram a integrar um amplo programa de descomissionamento de instalações. Em abril de 2025, a Petrobras iniciou as operações com a plataforma autoelevatória PA-38, contratada especificamente para executar atividades de abandono permanente de poços no Campo de Guaricema, localizado a aproximadamente nove quilômetros da costa sergipana. A unidade representa o início da etapa operacional de um dos maiores programas de descomissionamento offshore em andamento no Brasil.

Dados apresentados durante o Sergipe Oil & Gas e pelo Governo do Estado indicam que Sergipe possui aproximadamente 158 poços offshore, 26 plataformas marítimas e mais de 3.200 poços terrestres inseridos no processo de descomissionamento. Somados, esses projetos deverão movimentar investimentos superiores a R$ 8 bilhões, além de gerar demanda por serviços especializados de engenharia, logística, inspeção, construção naval, meio ambiente e gestão de resíduos.
As informações disponíveis confirmam que os antigos campos marítimos em águas rasas que compõem esse programa encontram-se em processo de encerramento operacional, razão pela qual as atividades atuais concentram-se no abandono definitivo dos poços e na retirada das instalações, e não mais na produção de petróleo nesses ativos.
Um processo que mobiliza diversas modalidades da Engenharia
Muito além da retirada de plataformas, o descomissionamento consiste em um conjunto de operações altamente especializadas destinadas ao encerramento definitivo de um sistema de produção de petróleo e gás.
Entre as principais etapas estão o tamponamento permanente dos poços (plug and abandonment), limpeza e descontaminação das instalações, retirada de equipamentos submarinos, remoção de plataformas, recolhimento de dutos, destinação ambientalmente adequada dos materiais e recuperação das áreas impactadas. Cada fase exige planejamento multidisciplinar, rigor técnico e atendimento às exigências da Agência Nacional do Petróleo (ANP), do Ibama, da Marinha do Brasil e demais órgãos reguladores.
Nesse contexto, a atuação das Engenharias é determinante para garantir a segurança operacional, a proteção ambiental e a eficiência das operações. Participam diretamente desse processo profissionais das Engenharias de Petróleo, Mecânica, Civil, Elétrica, Produção, Controle e Automação, Segurança do Trabalho, Ambiental e Naval, além de geólogos, geofísicos e especialistas em inspeção, integridade estrutural, logística e gerenciamento de projetos.





